Domingo, Novembro 8
buraka no sistema
Tenho que admitir que criar seja o que for para Natal, Páscoa e restantes festas não é das coisas mais fáceis, principalmente se quisermos ser originais...
A Popota já tem pelos menos 3 anos em cima (corrijam-me se estou enganado), não é novidade nenhuma mas quando teve a sua primeira campanha era uma proposta interessante, uma boa personagem infantil longe de alguns clichés natalícios que seriam óbvios.
O ano passado quem quer que tenha tido a palavra final e a responsabilidade de pôr a Popota num dueto com o Tony Carreira, já se tinha esquecido que o objectivo de uma campanha de Natal é suposto ser vender brinquedos e por isso destina-se às crianças, mais ou menos jovens. OK, sempre venderam alguns CD's às mães e podemos argumentar que quem compra presentes são elas (cliché sexista típico) e que por isso elas também são o target de uma campanha de Natal.
Mas o que é que esta Popota está exactamente a vender este ano? O estilo de vida dread/kuduro, com as respectivas gajas a abanar a peida para a câmara como nos videoclips?
É que a mim parece-me que impingir às crianças música que está na moda, ou os clichés sexistas que fazem parte de certos lifestyles, não é propriamente a melhor escolha pedagógica... admito que não sou fã desta "cena musical" mas acho que era o mesmo que pôr a Popota a cantar Sex Pistols ou vestida de preto a mandar uns guturais à Death Metal. Há coisas que não são para crianças...
Sobre o anúncio em si, e principalmente pelos 9 meses de trabalho técnico só posso dizer que está 5 estrelas e sendo honesto se o target for de adolescência para cima é um anúncio engraçado, de facto até nem está nada mau.
No entanto acho que a única coisa que isto vende, é albums dos Buraka Som Sistema, sobre os quais perco todo o meu respeito tal é a falta de prurido artístico em deixar que peguem numa música deles e alterem a letra para fazer um anúncio de natal. Não entendam mal, o problema não é vender a música para um anúncio. Para mim é normal e não considero selling-out como outros, outra coisa é pegarem numa criação tua e porem "po-po-po-po-pota" e mudarem a letra para tentar vender brinquedos.
Mas há pessoal que só quer é verdinhas, não é por acaso que nunca gostei deste estilo de música (estou a falar de derivados e não do kuduro que respeito e até acho piada)...
PS: Os fãs podem flamar à vontade ;)
Segunda-feira, Novembro 2
tofu chair

Para quem não percebe muito de design industrial esta cadeira que ganhou um Red Dot Award, poderá até parecer feia, mas esta é um dos mais belos assentos que já vi.
Através de uma colocação cuidadosa de triângulos, com dimensões maiores nas zonas que se queria que distendessem, esta designer japonesa conseguiu que este paralelepípedo se transforme com o peso do corpo num confortável sofá! Simplesmente genial!
Fonte > Core77
Sábado, Outubro 31
ajudas de custo

"A.C. converte um posto de trabalho que deveria ser remunerado com pelos menos o elevadissísimo Salário Mínimo nacional, num estágio sem direitos. A.C. tem milhares de empresas adeptas por todo o país, pelo que pode estar seguro que não terá denúncias nem da sua concorrência, nem feitas nos media que também utilizam A.C. a seu bel prazer. A.C. presta serviços e dá vantagens a todas as empresas, independentemente do número de empregados e da percentagem de lucros prevista no final do ano.
A vantagem do A.C. começa em si, Sr. Empresário
- A.C. garante que o seu trabalhador fica calado ao seu canto a produzir o mesmo que qualquer trabalhador legal.
- A.C. permite-lhe fugir às contribuições para a Segurança Social e ao pagamento dos impostos a que seria obrigado.
- A.C. garante que o estagiário não se queixa porque além de lhe estar a fazer um favor, ainda lhe garante a subsistência.
Contacte
Milhares de Jovens Recém-Licenciados no desemprego
Num dos muitos sites de emprego portugueses que ainda não se recusam a colocar anúncios de emprego ilegais."
Ainda há poucos anos, era comum as empresas pagarem o subsídio de refeição em Ticket's Restaurant, aceites na maioria dos restaurantes, snack-bar's, tascas e cafés de esquina. Era uma forma de garantir que o trabalhador gastava o subsídio em alimentação e até se faziam campanhas para lembrar que um trabalhador bem alimentado tinha maior motivação e capacidade produtiva.
O subsídio de refeição era por isso considerado além de um "benefício social" uma mais valia para a produtividade das empresas.
Actualmente são centenas as empresas que consideram que um subsídio de refeição e as despesas de transporte (pagos debaixo da mesa ou a falsos recibos verdes) são remuneração justa e suficiente para jovens altamente qualificados, que têm maior capacidade produtiva que gerações anteriores, munidos de capacidade criativa e de iniciativa. Aquilo que para os nossos pais eram um extra, para esta geração é um "favor que nos fazem", para não termos ainda de pagar para trabalhar...

PS: Se quiserem um PDF para imprimir e colar onde quiserem é só pedir ;)
animais proibidos
Excelente infografia do Mário Cameira sobre os animais interditos a comercialização e propriedade privada segundo a nova lei.
Vejam maior em:
http://infografando.blogspot.com/2009/10/animais-proibidos.html
Terça-feira, Outubro 27
o coto invisível
Adam Smith, um dos pais da "economia política" ou de uma forma mais simples, do capitalismo, defendia que não era o altruísmo que lhe punha o jantar na mesa, mas sim o interesse egoísta de auto-favorecimento do agricultor, do padeiro, do cervejeiro, da cozinheira e por ai adiante, que resultava no seu manjar burguês.
Era esta vontade de auto-favorecimento que dizia ele, constituía uma "mão invisível" que resultava na melhoria das condições de vida e na prosperidade da sociedade!
Passadas algumas centenas de anos de aplicação do capitalismo, em muito com base nesta noção ingénua (ou intencionalmente maquiavélica?) e que geração após geração resultaram numa real melhoria das condições de uma parte tendencialmente mais abrangente da sociedade (embora possamos discutir que a globalização transformou a desigualdade nacional em desigualdade entre países e na prática nada mudou), chegamos a um ponto em que há uma geração em que a qualidade de vida e os direitos se prevêem diminuídos em relação à anterior, quebrando o ciclo mítico do progresso.
Podemos especular que a real causa deste cair da máscara do capitalismo neo-liberal se deve à queda do comunismo na União Soviética e na China, afinal já não existe um sistema inimigo capaz de o derrotar, para que convenha maquilhar a verdadeira cara da economia política.
A determinada altura, a benévola mão invisível foi amputada pela ganância e pelas enormes falhas de base de que a economia política sempre padeceu (a diferença ilógica entre valor real e valor especulativo e a noção feudalista da propriedade inquestionável e hereditária).
É que para infortúnio da grande maioria dos membros da sociedade, um coto invisível não é muito eficaz a agarrar na riqueza para a distribuir!
Era esta vontade de auto-favorecimento que dizia ele, constituía uma "mão invisível" que resultava na melhoria das condições de vida e na prosperidade da sociedade!
Passadas algumas centenas de anos de aplicação do capitalismo, em muito com base nesta noção ingénua (ou intencionalmente maquiavélica?) e que geração após geração resultaram numa real melhoria das condições de uma parte tendencialmente mais abrangente da sociedade (embora possamos discutir que a globalização transformou a desigualdade nacional em desigualdade entre países e na prática nada mudou), chegamos a um ponto em que há uma geração em que a qualidade de vida e os direitos se prevêem diminuídos em relação à anterior, quebrando o ciclo mítico do progresso.
Podemos especular que a real causa deste cair da máscara do capitalismo neo-liberal se deve à queda do comunismo na União Soviética e na China, afinal já não existe um sistema inimigo capaz de o derrotar, para que convenha maquilhar a verdadeira cara da economia política.
A determinada altura, a benévola mão invisível foi amputada pela ganância e pelas enormes falhas de base de que a economia política sempre padeceu (a diferença ilógica entre valor real e valor especulativo e a noção feudalista da propriedade inquestionável e hereditária).
É que para infortúnio da grande maioria dos membros da sociedade, um coto invisível não é muito eficaz a agarrar na riqueza para a distribuir!
Segunda-feira, Outubro 26
o salário mínimo
Van Zeller, presidente da CIP diz que este ano os empresários por si representados tencionam congelar o aumento do Salário Mínimo, ao contrário do que foi acordado em concertação social, segundo o qual o valor deveria aumentar este ano 25€ para os 475€ mensais.
Embora entenda a validade da argumentação apresentada, tendo em conta que assistimos a alguma deflação, sendo que isso resulta num aumento do poder de compra mesmo congelando os salários, temos de nos lembrar que somos dos países da União Europeia com um dos mais baixos salários mínimos e médios e onde há um dois maiores fossos entre remunerações de topo e de base.
Não posso (não podemos todos) é aceitar a prepotência e arrogância de um organismo que em vez de negociar um congelamento, pedindo um esforço suplementar aos trabalhadores e alguma paciência com justificação na crise internacional aos seus parceiros sociais com quem falhará o combinado, venha dizer que "ou aceitam as nossas condições ou então despedimos trabalhadores para termos os mesmos lucros".
Aceito e concordo que os trabalhadores portugueses tenham de fazer um esforço honesto para serem mais produtivos, apesar da baixa geral de salários a que assistimos nos últimos anos (o valor do trabalho interfere com a produtividade também), mas temos de exigir que os nossos empresários e empresas também trabalhem no sentido de inovar e investir mais na criação de produtos baseados na qualidade e originalidade e não a continuação da aposta num modelo de produto de baixo custo e baixo valor, que será a médio prazo uma aposta perdida face à concorrência de países onde devido à mão de obra barata, os mesmos produtos serão sempre mais concorrenciais.
Penso que da mesma forma que se deve apostar na formação e qualificação dos trabalhadores, se deve também fazer a mesma aposta dentro da classe empresarial, manifestamente pouco preparada para os desafios do mercado global e da inovação necessária à sobrevivência nestas condições.
PS: Nem vale a pena comentar acerca da indignação de ter uma sindicalista como Ministra do Trabalho e da Solidariedade, de tal forma arrogante que parece que se esqueceram que numa democracia todos os cidadãos podem ser governantes...
o valor das ideias

Agradeço ao Carlos Santos do blog O Valor da Ideias, a menção que fez deste meu humilde cantinho da blogosfera.
Fico conferido de uma maior responsabilidade em escrever mais artigos intelectualmente estimulantes para merecer o respeito de alguém que admiro como um excelente analista político.
http://ovalordasideias.blogspot.com
Sábado, Outubro 24
balack
Algumas taradices de um ilustrador francês do qual eu sou fã incondicional! LOL
Porque nem só de coisas tristes é feita a vida :P
Mais em:
http://balak01.deviantart.com
Terça-feira, Outubro 20
o fosso entre classes
Interessante esta análise da disparidade entre os mais ricos e os mais pobres nos vários países do mundo.
Nos países desenvolvidos ficamos logo atrás de Israel e dos EUA! Pena que não se trata de algo positivo mas sim de uma amostra da injustiça da sociedade actual. Mais uma razão para pensar que voltámos ao feudalismo, só mudaram as condições para se ser da "nobreza"...
protecção jurídica
A Justiça de Costa Motta (Assembleia da República)
Como nem só de más notícias pode ser feita a vida, talvez vos agrade saber que no seguimento da carta para a Segurança Social que aqui transcrevi, recebi hoje uma carta com o contacto do advogado designado para o meu caso, de forma a avançar com o processo.
Mais uma vez espero que este resultado vos incentive a lutarem também pelos vossos direitos!
Mais uma vez espero que este resultado vos incentive a lutarem também pelos vossos direitos!
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